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  Edição 35  
  Plantação de coco deu origem ao bairro Coqueiral de Itaparica  
     
 

Originado a partir de uma fazenda com produção de coco, com área que ia de Itapoã a Barra do Jucu, o bairro Coqueiral de Itaparica é hoje um dos mais conhecidos de Vila Velha. Com mais de 30 mil habitantes, é caracterizado pelos conjuntos habitacionais divididos em etapas e pela Praia de Coqueiral de Itaparica, cercada de quiosques e de águas transparentes.

A história de Coqueiral começa em 1936, quando Antônio de Oliveira Santos, juntamente com alguns sócios, comprou a antiga sesmaria dos Guaranhuns, na área que ia da ponta de Itapoã até a Barra do Jucu. Depois de algum tempo, o filho de Antônio, Armando, construiu uma mansão no local, o Solar de Itaparica, e iniciou uma plantação de coco da Bahia. A fazenda passou a ser chamada de Itaparica, por causa da localidade baiana, depois por Coqueiral, por causa dos coqueiros. A plantação durou dez anos até que os coqueiros morreram.

Após isso, Armando fez o loteamento praia de Itaparica e implantou infra-estrutura básica no local, dividindo tudo entre os filhos. Tempos depois, a área foi vendida para a construção de conjuntos habitacionais.

Em 1969 foi construído um dos primeiros conjuntos do bairro, o Itaparica I, pela Companhia Habitacional do Espírito Santo (Cohab-ES). Ele era formado por 114 casas e foi inaugurado em 1970. Dois anos mais tarde a Cohab entregou a segunda etapa com mais 52 residências.

Daí em diante, o bairro foi crescendo cada vez mais, com a construção de novos conjuntos habitacionais e com o desenvolvimento do comércio. No início, as ruas eram identificadas por letras e as avenidas por números. Depois de algum tempo as ruas receberam nomes começados pelo prefixo Ita, como Itagarças e Itaguaí. Posteriormente, algumas delas receberam nomes de personalidades e moradores antigos.

De acordo com a presidente do Conselho Interativo de Segurança da Grande Itaparica, Maria Lucia Malaquias Silvino, em 1982 foi feita a entrega da primeira etapa, como é conhecido um dos conjuntos habitacionais da região, com 1.040 apartamentos. Na época o bairro ainda contava com ruas de terra batida, pouca infra-estrutura, quase nenhum comércio.

Desenvolvimento

Muitos moradores lembram do primeiro comércio instalado no bairro, que teria sido um “quilão”. Depois vieram as padarias, farmácias, agências bancárias, lojas, a Rodoviária de Vila Velha, igrejas, associações, uma unidade de saúde, escolas públicas e particulares e faculdade. Hoje em dia os moradores não precisam mais recorrer aos bairros vizinhos, como Parque das Gaivotas, Itapoã, Praia das Garças, Jockey, Santa Mônica, Cocal, Ilha dos Bentos e Santa Mônica, pois Coqueiral de Itaparica conta com 1. 411 imóveis residenciais, três indústrias, 212 comércios e serviços e 12 imóveis entre igrejas, associações, clubes e escolas.

Morador de Coqueiral de Itaparica há 22 anos, o representante de vendas Henrique Marthinho Monteiro de Castro afirma que o bairro é outro atualmente. “Quando vim morar em Coqueiral era quase tudo matagal, havia muita violência e não tinha nada nas redondezas. Supermercado só tinha em Itapoã ou no Centro de Vila Velha. Aqui só tinha uma padaria e ainda fica longe pra mim”, lembra Castro.

Para ele, um dos piores problemas do bairro era o valão correndo a céu aberto, sem a mínima proteção e ainda cheio de lixo, jogado pelos próprios moradores. O representante de vendas comemorou a colocação de muros de cimento em torno do valão, a chegada dos supermercados, de novas padarias, farmácias, da unidade de saúde, agências bancárias, faculdade, enfim, da urbanização e desenvolvimento do bairro.

Quem tem lembranças semelhantes do bairro é a professora aposentada Margarida Moysés Marcelino, moradora da quarta etapa de Coqueiral há 24 anos. “Na época que vim morar aqui havia apenas um quilão e uma padaria. Depois o bairro foi crescendo, pois ele já foi cheio de coqueiros e taboa. Mas acho que ainda falta espaço pra lazer no bairro”, acrescenta a aposentada.

Embora sintam orgulho em morar em Coqueiral de Itaparica, os residentes sentem necessidade de melhorias. Para Henrique Castro falta uma escola pública de ensino médio e uma delegacia no bairro. Margarida acha que as áreas vazias ainda existentes no local poderiam ser aproveitadas para a construção de um centro cultural.

Maria Lucia concorda com ambos e luta pelo retorno do Destacamento da Polícia Militar que foi retirado do bairro na metade deste ano. Para ela, o índice de criminalidade aumentou bastante no local. “Está faltando efetivo no bairro. Há policiais circulando, mas não em número suficiente”, salienta.

Mas os moradores também têm muito o que comemorar em Coqueiral. Como principais opções de lazer o bairro possui uma pracinha, o Ginásio de Esportes Presidente João Goulart, Tartarugão, e a orla marítima. Além disso, quase todos os conjuntos habitacionais possuem quadra esportiva.

O bairro está rodeado pela Praia de Coqueiral de Itaparica, que com suas águas claras e ondas fortes, serve para atividades de lazer das mais diversas. Não só os moradores do bairro freqüentam a praia, mas também turistas e muitos surfistas.

A orla está toda iluminada e dispõe de calçadão, além de 135 quiosques, três restaurantes, entre outras opções que garantem uma vida noturna agitada no local. No verão, há também feiras de artesanatos e parques-infantis no local.
 

 
     
 
 


CURIOSIDADE

No livro “Vila Velha, onde começou o estado do Espírito Santo”, de Jair Santos, consta que por volta de 1940, um senhor de nome Albertino mudou-se para Vila Velha e como não tinha profissão definida, aceitou vender uma grande extensão de terra ao longo do mar que se estendia por cerca de dois quilômetros do pontal de Itapoã até a foz do rio Jucu. Como era difícil negociar terreno no local, Albertino teve uma idéia: abriu buracos rasos em pontos esparsos da restinga, onde lançou sobras de óleo e querosene, e espalhou pela cidade que havia encontrado petróleo. Logo apareceu pretendente para comprar o terreno. Depois de perceber a mentira, o empresário plantou coco e abacaxi no terreno, enquanto decidia o que fazer com ele.
 

 
 
     
 
 

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