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PARTÍCULAS em suspensão no ar (aerodispersóides)
provenientes da separação mecânica das substâncias no estado
sólido, causam doenças respiratórias irreversíveis e morte
dolorosa por insuficiência respiratória. São “forte impulso” no
desenvolvimento da tuberculose, alergias, inflamações crônicas,
neoplasias,..., em nosso organismo. Quando constantes no ar
ambiente, representam alteração ecológica sutil, mas
extremamente perigosa para todo ser vivo de respiração pulmonar.
A poluição aérea no Espírito Santo é problema grave e antigo.
Desde o tempo da Kawasaki, 1970, o “X” da questão é a
localização das siderúrgicas. Elas foram instaladas na Ponta de
Tubarão, por pressão política das entidades que representam o
comércio em Vitória, e não para atender a critérios estratégicos
ou econômicos.
O homem é capaz de remover montanhas, mudar o curso de rios,
construir barragens, afastar o mar, fazer chover, atear ou
apagar o fogo, e muito mais. Entretanto, domar o vento livre na
natureza é impossível. Daí o vento ser a melhor metáfora para a
Liberdade.
Tubarão está no caminho do vento nordeste que chega a Vitória, o
mais freqüente que sopra sobre o Espírito Santo. Derrama sobre
nós as partículas (ferro, carvão, sílica, calcário) que recolhe,
passando por Tubarão. A fatal silicossiderose (Doença pulmonar
provocada pela inalação de partículas de minério de ferro –
hematita) é a mais forte expressão dos malefícios, comprovados,
deste tipo de poluição.
Durante três décadas nossas empresas siderúrgicas se esforçaram
muito, e investiram pesado, buscando equipamentos e práticas
para minimizar esta poluição. Só colecionaram fracassos. Ela
cresce e aparece dia após dia e, com um imã, a população
identifica a principal fonte.
Como podemos permitir a duplicação do que não deu certo? Da
empresa que, em escala menor, não foi capaz de resolver os
problemas que criou?
A Vale goza de alta estima dos capixabas e existe um sentimento
de gratidão: foi a principal responsável por nos livrar do
estigma de “lugar de toda pobreza”, que persistia desde o séc.
XVI. Uma nova geração, melhor preparada, se forma em nossa
terra, com espírito crítico para avaliar e exigir qualidade de
vida e ecologia. Em breve estes jovens ocuparão seus espaços na
vida pública e com segurança saberão agir. A empresa, com sua
imagem desgastada por persistir no erro, tardiamente cederá
(Incorrendo em indenizações?).
Para o próprio bem das siderúrgicas instaladas na Ponta de
Tubarão, é preciso que seus novos investimentos sejam
direcionados para outra área e, que se pense na gradual
transferência das atividades siderúrgicas ali existentes.
Quanto, em dólares, as usinas localizadas em Tubarão
contribuíram para o montante de U$ 4 bilhões, que foi o valor
alcançado, em leilão, por toda a Vale, espalhada pelo mundo? O
lucro anual da empresa é de mais de U$10 bilhões, muitas vezes
superior ao custo da transferência, que se mostra prudente e
necessária. Ainda mais necessária e oportuna se faz, quando
consideramos a idade destas unidades de produção, a chance de
expansão, e o risco de desgaste da imagem da Vale (ainda tão
admirada internacionalmente e querida de todos nós).
A hora é esta: a empresa está capitalizada e pretende se
expandir; Vitória cresceu muito e tem alternativas econômicas
incompatíveis com a poluição; a consciência ecológica da nossa
juventude se mostra inquieta; os ventos são favoráveis para uma
viagem curta e tranqüila, de mudança. |
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