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Kleber Galvêas
Pintor
 

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    FERRO NA POLUIÇÃO S/A  
       
   

Durante Audiência Pública na CMV em 1998, técnicos de grandes empresas minimizaram a presença do ferro na poeira da Grande Vitória. A vilã apontada por eles foi a construção civil. Moradores das ilhas (Frade e Boi) que recebem em suas casas enorme quantidade de poeira reagiram, lembrando a direção e sentido do vento predominante, cor e cintilação das partículas, típicas do minério de ferro. Como um palestrante questionou a composição da poeira fixada nas telas do projeto A VALE, A VACA E A PENA, ali em exposição, sugeri uma experiência simples: junte sobre uma folha de papel um pouco da poeira que chega à sua casa; pegue um imã (desses que enfeitam geladeiras) e observe o que acontece ao esfregá-lo sob o papel.

Três elementos (ferro, níquel, cobalto) e alguns óxidos ferrosos são atraídos por imã. No ES não há registro de empresas manipulando volumes significativos de níquel ou cobalto, já minério de ferro e ferro rolam em quantidades impressionantes e com alto grau de pureza, na região da Ponta de Tubarão. Sabemos que o vento predominante na GV é o nordeste e que é ele quem traz a sujeira, pois o vento sul também freqüente, vem sempre acompanhado de chuvas que apagam a poeira. Inevitavelmente, antes de chegar até nossas casas, o vento nordeste passa pela região de Tubarão e aí se abastece para sujar nossas cidades, causando problemas em equipamentos e prejudicando nossa saúde. Além das partículas sólidas que podemos observar, traz gases de difícil percepção para cidadãos desamparados.

Tenho 6 irmãos e minha esposa 15, todos com mais de 40 anos e nenhum com registro importante de problemas respiratórios ou auditivos na infância, vivida quando nossa atmosfera não era poluída. Nossos 3 filhos já sofreram cirurgias no nariz e ouvido. A genética não explica mas a ciência informa que algo, no aparelho respiratório, provocou o bloqueio da trompa de eustáquio, retendo secreção no ouvido médio, acarretando dor e surdez. É uma amostra pequena e observação sem rigor científico, mas indica como agravamento dos problemas a mudança profunda no nosso meio ambiente, no espaço de uma geração. Com a palavra os especialistas. Jornais publicaram balanços fantásticos das grandes empresas ligadas ao ferro, notadamente da Vale pós- privatização. Seu lucro anual já é próximo ao preço total pago por ela. Por sua grande participação no mercado mundial do aço a performance da Vale é importantíssima para a economia local e global, na geração de riqueza e aceleração do nosso crescimento econômico. Apostei na sua privatização julgando que não era confiável o governo fiscalizar suas próprias empresas e que haveria uma face para corar de vergonha com a poluição. Errei!

Participando de manifestações e observando a expansão das empresas ser autorizada antes de resolverem os problemas que geraram, ainda acredito numa Solução Legal. Precisamos do Governo e Universidade realizando pesquisas que sirvam de referência para laudos médicos e técnicos, que poderão subsidiar a Justiça nas demandas propostas por quem se sente prejudicado pelas empresas que, por deficiências técnicas, não controlam sua poluição.

Na hora em que as indenizações pipocarem alcançando valores significativos, uma equação econômica vai sensibilizar acionistas e sinalizar para investimentos na área de controle da poluição. Sejamos realistas: esse procedimento é linguagem que toda S/A entende.

 
       
 
 

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