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Paiva Netto
 

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contato: celiampinheiro@yahoo.com.br

 
    Arrisque  
   

Vai, arrisca. Pára toda aquela rotina freada e penteie o cabelo para o outro lado. Não faz mal e nada vai piorar. Arisque uma palavra diferente, um idioma novo, um andar modificado. Cante em público para analisar a reação de quem o cerca. Divida o tempo melhor. Em 30 minutos olhando para o mar você verá mais do que em trocentas páginas de Internet. Em 10 minutos sem dizer uma palavra num diálogo você descobre muito mais do que ficar palpitando e guiando a conversa. Nesse tempinho calado você vê se a pessoa é ansiosa, nervosa, calma, dependendo de como ela move a conversa e como se comporta com os silêncios que surgirem. Não, não é para deixar ninguém constrangido e rir da cara do indivíduo depois.

Jogue aqueles livros de auto-ajuda no lixo mais próximo e longe das crianças. A não ser que queira castigá-las por não fazer a lição de casa. Escreva a sua própria auto-ajuda e fature. Combinar auto-ajuda com um tema da moda, então, é grana fácil. Só tome cuidado para não sair do tema da obra, assim como eu fiz no meio deste texto. Os leitores de auto-ajuda odeiam isso.

Viva, criando um novo conceito a cada dia. Num dia você batalha para ter dinheiro, no outro para ter descanso e no outro para deixar o coração bater mais forte. Sim, o verbo deixar, porque às vezes o humano tende a impedir tal fenômeno. E nem sabe o porquê.

Faça parágrafos mais curtos.

Menores.

Nunca chame a atenção das pessoas com opiniões que não condizem com o que realmente pense. O legal do mentir se desfaz rapidamente perante um deslize na fala ou alteração no tom de voz. A confiança se esvai tão rápido quanto a mentira.

Não ouça a mesma música 10 vezes. Ouça 30. Escolha uma música por semana para fazer isso. A cada semana sua vida terá um tema e distintos desafios aparecerão. Senão, os encontre. Tente aquelas músicas nas quais é o instrumento principal quem canta. Cada um interpreta de um modo diferente.

Não julgue ninguém e só fale mal na frente da própria pessoa para ela poder se defender. É bem mais divertido e justo. Além do mais, pensarás duas vezes antes de falar. Tenha sempre um argumento na ponta da língua, de preferência aquele que não ofenda nem amarelo nem cinza.

Se procurar o motivo de cada passo seu, ficará louco. Se não ver motivo nenhum ficará vazio. Se acreditar em tudo que os outros escrevem será besta. Se desconfiar de todas as letras será irritante. Se parar de ler agora será fraco.

Então continue, siga, invente, grite, esbraveje,  boceje, durma. Só não desvie. Cabeça sempre erguida humildemente com uma bagagem de idéias brilhantes. Não deixe de arriscar. O pior pesadelo é nunca ter tentado fazer, ter ou ser. Ou ainda esquecer o que queria mudar ou tentar. Veja se a inovação pode ser uma arma a seu favor e se aproveite disso. E tome bastante cuidado para que as coisas que você leia não surtem um efeito duradouro. Arrisque.

 
   

 

 
       
 
 

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