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Vai, arrisca. Pára
toda aquela rotina freada e penteie o cabelo para o
outro lado. Não faz mal e nada vai piorar. Arisque
uma palavra diferente, um idioma novo, um andar
modificado. Cante em público para analisar a reação
de quem o cerca. Divida o tempo melhor. Em 30
minutos olhando para o mar você verá mais do que em
trocentas páginas de Internet. Em 10 minutos sem
dizer uma palavra num diálogo você descobre muito
mais do que ficar palpitando e guiando a conversa.
Nesse tempinho calado você vê se a pessoa é ansiosa,
nervosa, calma, dependendo de como ela move a
conversa e como se comporta com os silêncios que
surgirem. Não, não é para deixar ninguém
constrangido e rir da cara do indivíduo depois.
Jogue aqueles livros
de auto-ajuda no lixo mais próximo e longe das
crianças. A não ser que queira castigá-las por não
fazer a lição de casa. Escreva a sua própria
auto-ajuda e fature. Combinar auto-ajuda com um tema
da moda, então, é grana fácil. Só tome cuidado para
não sair do tema da obra, assim como eu fiz no meio
deste texto. Os leitores de auto-ajuda odeiam isso.
Viva, criando um
novo conceito a cada dia. Num dia você batalha para
ter dinheiro, no outro para ter descanso e no outro
para deixar o coração bater mais forte. Sim, o verbo
deixar, porque às vezes o humano tende a impedir tal
fenômeno. E nem sabe o porquê.
Faça parágrafos mais
curtos.
Menores.
Nunca chame a
atenção das pessoas com opiniões que não condizem
com o que realmente pense. O legal do mentir se
desfaz rapidamente perante um deslize na fala ou
alteração no tom de voz. A confiança se esvai tão
rápido quanto a mentira.
Não ouça a mesma
música 10 vezes. Ouça 30. Escolha uma música por
semana para fazer isso. A cada semana sua vida terá
um tema e distintos desafios aparecerão. Senão, os
encontre. Tente aquelas músicas nas quais é o
instrumento principal quem canta. Cada um interpreta
de um modo diferente.
Não julgue ninguém e
só fale mal na frente da própria pessoa para ela
poder se defender. É bem mais divertido e justo.
Além do mais, pensarás duas vezes antes de falar.
Tenha sempre um argumento na ponta da língua, de
preferência aquele que não ofenda nem amarelo nem
cinza.
Se procurar o motivo
de cada passo seu, ficará louco. Se não ver motivo
nenhum ficará vazio. Se acreditar em tudo que os
outros escrevem será besta. Se desconfiar de todas
as letras será irritante. Se parar de ler agora será
fraco.
Então continue,
siga, invente, grite, esbraveje, boceje, durma. Só
não desvie. Cabeça sempre erguida humildemente com
uma bagagem de idéias brilhantes. Não deixe de
arriscar. O pior pesadelo é nunca ter tentado fazer,
ter ou ser. Ou ainda esquecer o que queria mudar ou
tentar. Veja se a inovação pode ser uma arma a seu
favor e se aproveite disso. E tome bastante cuidado
para que as coisas que você leia não surtem um
efeito duradouro. Arrisque. |